sábado, 3 de julho de 2010

CARTA DESABAFO I


Querido Irmão em Deus,
Estava a tempos querendo te escrever. Dei um tempo para meus pensamentos até que eles estivessem plenos de espírito e eu aqui encontrasse as palavras certas para te falar. Talvez deva começar falando do que nos transformamos quando ingressamos nesta imensa família onde somos irmãos em Cristo, talvez falar um pouco das pessoas que deixamos para trás apenas e por que não nos cabem mais... E ainda dos abraços e dos amigos que nos faltam, e por fim sobre o que mais nos aflige em viver na Palavra, que é o pecado.
Ora, como é que a falta de um abraço pode trazer a tona a necessidade de tal desabafo? Tão cheio de densas reflexões, mas creia, isento de mágoa. Sabe, quando desci nas águas, nem tinha idéia do tamanho da caixa onde fui juntando tudo que não me servia mais. Abri mão de conviver com pessoas que amava, e que ainda amo, mas não compartilho mais minha vida com elas porque para viver em Deus só há um caminho. Esta foi minha escolha. A mais certa e irrevogável escolha. Portanto aqui te agradeço a falta do abraço que me fez compreender que aceitei Deus em minha vida porque amo Jesus e não porque esperava estar cheia de amigos. E esse entendimento veio através de muitas noites em oração.
Quisera eu que ao aceitar Jesus eu pudesse instantaneamente ter trazido comigo minha própria família, cada um dos meus filhos e cada um dos amigos que sempre me cercaram... Mas não foi assim. De repente lá estava eu, sozinha, diante de Deus. E todos os novos rostos que vi e tenho encontrado. Uma família inteiramente nova, porém ainda estranha, não fosse o mais importante fato de que compartilhamos a mesma fé. Você já pensou em quantos de nós voltam a beber das águas do mundo porque se sentem sozinhos? Porque carecem de um abraço? De encontrar novos e verdadeiros amigos? E assim se sentirem acompanhados, fortalecidos e capazes de vislumbrar este novo horizonte, pleno de desafios diários?
Por que nos limitamos em nos conhecer tão pouco? E convivemos tão superficialmente? Por que nos separamos em gênero? O que tememos? O pecado? Se somos irmãos em Cristo, onde está o pecado? Não é o pior pecado, o que reside no pensamento que ainda não se deixou lavar pelo sangue de Jesus? Por que temes o abraço?
Tantas perguntas permeiam teus braços cruzados e buscam apenas te fazer refletir, tanto quanto me pus a pensar e abençoadamente compreender o quanto crescer em espírito me liberta do medo de pecar. E que apenas temo não abraçar! Não derramar minha capacidade de amar o próximo. Isto sim, me destruiria.
Ainda bem que Deus quer que saibamos nos dar no amor que ele nos ensinou.
E é com a simplicidade desse mesmo amor que agora te abraço,
Cássia Moreira