sábado, 22 de maio de 2010

CARTA À TUA DOR


Querida Amiga,

Olho agora para a tua dor e quero enxugar tuas lágrimas. Lembro agora de tantas outras vezes, em que me consolastes na minha própria angústia, e eu às tuas, e percebo que nos faltava naquele tempo, uma diretriz. Não tínhamos em nós o amor de Deus, por isso nos permitimos sofrer.

Talvez nem queiras ler esta carta. Confesso que não sei mais falar sem colocar este Deus, que encontrei tão grandemente na minha vida e dele reconstruí meu sobrado. Aquele mesmo que Cora Coralina conseguiu refazer na beleza de sua poesia e quando o viu destruído, o refez das ruínas.

De repente vejo, agora sem a venda nos olhos, que devemos fazer o mesmo e que podemos fazê-lo! Então talvez esta carta seja um pouco de falar de Deus e outro tanto de falar daquela única pedra que sobrou da tempestade e talvez do que sobra de nós quando escolhemos viver vendavais, e ainda, em última, ou primeira instância, da liberdade que temos em fazer nossas escolhas!

Veja amiga, preciso, na tua dor, te consolar. E meu abraço, hoje, é mais valioso do que todos os outros que já te dei, pois está pleno de Deus. Minhas lágrimas são mais grossas e às vezes correm feito rio na minha face. E isso sempre acontece quando, como agora, sinto a presença absoluta do amor de Deus na minha vida e tudo que mais desejo neste momento, é que esse mesmo amor possa te alcançar. Recebe então minhas palavras com esse espírito.

Como é infinita nossa liberdade. Amiga, somos livres! Podemos tudo!A grande questão está em nos amarmos o suficiente para sabermos fazer nossas escolhas. Como podemos escolher o que nos faz sofrer, mergulhar no charco da lama e nos sufocarmos de tanta dor, até ficarmos sem ar e enfim gritarmos e pedirmos socorro? Como podemos escolher o desamor? O abandono? A falta de companheirismo? Como podemos escolher pessoas para nos acompanharem que não compartilham nossos sonhos? Como podemos dividir nossa cama com a solidão? Permitir sermos usados e depois descartados como um lenço de papel?

Como caminhar sem os pés no chão? Como desejar vitórias se escolhemos viver mentiras? Como enfrentar tudo isso, que são as amargas conseqüências das nossas escolhas erradas, se ao nos olharmos no espelho não nos vemos? Você me disse, não tenho forças para prosseguir! E eu te digo, esta força está apenas esquecida no meio de tanta amargura. Esquecestes que Deus nos deu a sua vida para nos libertar. Esquecestes de Deus e de ti mesma. Eu te digo amiga querida, ainda é tempo e sempre será, de reconstruir teu sobrado, amparada no amor incondicional de Deus!

Também me dissestes que não te sentes perfeita para estar diante de Deus. Amiga, Deus escolhe exatamente pessoas como você e eu, imperfeitas, para conhecer a sua Glória e queimar tudo que existe dentro de nós que nos impede de vivenciar este amor tão verdadeiro, até que tudo se transforme em cinzas. Veja, você me chamava de Fênix, porque sempre sabia recomeçar, e de fato, recomeçava, mas sempre refazia os mesmos caminhos. E quando acordava novamente estava sem chão.

Quero que minha felicidade te abrace. Porque sabes mais do que muitos de tudo que vivi e talvez possas compreender, ao olhar minha vida hoje, que podes recomeçar.

Escolha ser feliz. Escolha coisas reais e verdadeiras na sua vida. Escolha beber dessa água viva. Escolha Deus!

Logo você verá que escolher a Deus é escolher se amar!Não tenha medo amiga. Todo o resto virá!Ele te ajudará a reconstruir teu sobrado e te abrigará para sempre debaixo da mansidão de suas asas!

Imenso amor, o meu e o de Deus!

Cássia Moreira