segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CARTA AO FIM



“Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, queridos irmãos, sede firmes, inabaláveis, fazei continuamente progressos na obra do Senhor, sabendo que a vossa fadiga não é inútil no Senhor.” (1 Coríntios 15:57-58).

Querido Fim,
Nossa! Como estou feliz em te escrever e falar do quanto me alegra a alma pensar que estou caminhando até você. Sim é verdade, ando cansada, mas creia, não desistirei desse momento em que te abraçarei! As pessoas podem até se assustar, pois quem haveria de querer chegar ao fim? Podem ainda se perguntar que fim é esse que tanto desejo encontrar?Preciso então falar um pouco mais de você e do fim que precisamos buscar.
Tudo começou quando compreendi o maravilhoso plano que Deus tem para cada um de nós, e que não precisamos saber exatamente para onde estamos sendo guiados, precisamos simplesmente confiar no nosso guia. Só ele sabe aonde chegaremos e quando chegaremos. O mais importante é entender que sem Ele não iremos a lugar algum. E quando chegarmos ao lugar onde Deus quer que estejamos não teremos encontrado o fim tal qual o compreendíamos quando tínhamos venda nos olhos, mas o fim que é melhor do que o começo, pois representa conhecer e receber de Deus a sua Glória. Teremos encontrado o caminho da vida, cheio de alegria, na presença do Senhor, cheio de delícias a nossa direita.
Deixei de ficar desejando respostas e aceitei as aflições deste mundo, compreendendo que minhas atitudes serão mais importantes neste tempo de caminhar e de subir, até a rocha mais alta, onde Deus fincará meus pés sobre o meu cansaço e me aliviará de toda a dor, pois minha fadiga não é inútil ao Senhor! Assim posso hoje contemplar pela janela o que sei me será dado através de uma grande porta aberta, esta mesma que atravessarei para te abraçar, para navegar nas tuas águas tranqüilas e me abrigar sob tuas asas.
Renovo minha fé a cada dia e dou graças!Tenho o cajado e a lamparina em minhas mãos, e o que mais posso desejar se Ele é comigo?
Creia na minha alegria em caminhar, em progredir e crescer na Tua palavra, apenas porque compreendi amado Fim, que tudo em Ti será melhor do que o começo, ou qualquer outra coisa que a vã imaginação dos homens possa criar, na tentativa de ocultar que és a verdade e a vida!

Com imensa esperança, te abraço!

Cássia Moreira

sábado, 3 de julho de 2010

CARTA DESABAFO I


Querido Irmão em Deus,
Estava a tempos querendo te escrever. Dei um tempo para meus pensamentos até que eles estivessem plenos de espírito e eu aqui encontrasse as palavras certas para te falar. Talvez deva começar falando do que nos transformamos quando ingressamos nesta imensa família onde somos irmãos em Cristo, talvez falar um pouco das pessoas que deixamos para trás apenas e por que não nos cabem mais... E ainda dos abraços e dos amigos que nos faltam, e por fim sobre o que mais nos aflige em viver na Palavra, que é o pecado.
Ora, como é que a falta de um abraço pode trazer a tona a necessidade de tal desabafo? Tão cheio de densas reflexões, mas creia, isento de mágoa. Sabe, quando desci nas águas, nem tinha idéia do tamanho da caixa onde fui juntando tudo que não me servia mais. Abri mão de conviver com pessoas que amava, e que ainda amo, mas não compartilho mais minha vida com elas porque para viver em Deus só há um caminho. Esta foi minha escolha. A mais certa e irrevogável escolha. Portanto aqui te agradeço a falta do abraço que me fez compreender que aceitei Deus em minha vida porque amo Jesus e não porque esperava estar cheia de amigos. E esse entendimento veio através de muitas noites em oração.
Quisera eu que ao aceitar Jesus eu pudesse instantaneamente ter trazido comigo minha própria família, cada um dos meus filhos e cada um dos amigos que sempre me cercaram... Mas não foi assim. De repente lá estava eu, sozinha, diante de Deus. E todos os novos rostos que vi e tenho encontrado. Uma família inteiramente nova, porém ainda estranha, não fosse o mais importante fato de que compartilhamos a mesma fé. Você já pensou em quantos de nós voltam a beber das águas do mundo porque se sentem sozinhos? Porque carecem de um abraço? De encontrar novos e verdadeiros amigos? E assim se sentirem acompanhados, fortalecidos e capazes de vislumbrar este novo horizonte, pleno de desafios diários?
Por que nos limitamos em nos conhecer tão pouco? E convivemos tão superficialmente? Por que nos separamos em gênero? O que tememos? O pecado? Se somos irmãos em Cristo, onde está o pecado? Não é o pior pecado, o que reside no pensamento que ainda não se deixou lavar pelo sangue de Jesus? Por que temes o abraço?
Tantas perguntas permeiam teus braços cruzados e buscam apenas te fazer refletir, tanto quanto me pus a pensar e abençoadamente compreender o quanto crescer em espírito me liberta do medo de pecar. E que apenas temo não abraçar! Não derramar minha capacidade de amar o próximo. Isto sim, me destruiria.
Ainda bem que Deus quer que saibamos nos dar no amor que ele nos ensinou.
E é com a simplicidade desse mesmo amor que agora te abraço,
Cássia Moreira

quinta-feira, 24 de junho de 2010

CARTA À TUA DÚVIDA

Querida amiga,
Estou te escrevendo com uma enorme felicidade no meu coração. Como é bom te ver caminhar para Deus! Conheço cada passo dessa caminhada. Conheço as dúvidas que tomam conta dos nossos pensamentos neste momento em que somos chamados e precisamos dar só mais um passo até Ele. E o que preciso falar agora compreende esses dois momentos, o que somos antes e o que somos depois.
Volto no tempo e meus olhos já marejam lágrimas. Lembro daquela voz que gritava dentro de mim, com sede de paz interior, com fome de viver águas tranquilas. Lembro da dor e lembro-me do medo. Tinha consciência que era chegado o tempo de sair da minha tenda e seguir aquele único e verdadeiro amor que acenava para mim tanta esperança. 
Sabia que representava uma escolha e queria de algum modo encontrar uma forma de conciliar Deus e o mundo. Queria conciliar Jesus e meus tantos amigos. Queria ainda guardar comigo o amor que sentia e ardia em mim pela carne. Queria encontrar uma forma de sobreviver ao preconceito e pensava no que diriam de mim quando soubessem que havia me batizado. Queria que minha família e meus filhos estivessem comigo. Senti muito medo e solidão. Medo de deixar para trás as velhas roupas que já não me serviam mais.
Era no meio do caminho que queria estar.
Mas Deus, na sua infinita sabedoria, abriu meus ouvidos e usou os que me cercavam para me dar as respostas que tanto precisava. Quando achava que estaria só Ele colocou diante de mim uma nova família, esta que hoje me acompanha, de irmãos que compartilham comigo a mesma fé. Quando pensei que seria difícil viver sem o amor que achava que havia Ele me mostrou que quem eu amava não era meu, que precisava crescer em espírito e deixar aos mortos os seus mortos e que Ele, e apenas Ele é vida.
Quando temia que meus filhos não aceitassem minha escolha Ele me apresentou a promessa de bênçãos para toda a minha descendência. E descortinou para mim um horizonte de vitórias. Estas que já não conto mais nos meus dedos e ainda as que virão.  
Logo entendi que não há metades em Deus. Ele é inteiro e verdadeiro, tanto quanto precisamos ser. 
Assim querida amiga, saí da minha tenda, da clausura do mundo para me tornar livre. E você, só precisa ouvir, porque eu creio que Ele também quer que você o conheça verdadeiramente. Então deixe que Ele fale com você hoje e te entregue sua promessa de vida. Olhe para minha vida se tiver medo e de esse mais importante passo para viver a infinita glória que é viver em Deus.
Amanha, quero que estejas como eu, pedindo que Deus te de ainda mais tempo nesta vida para que possas estar, nem que seja só por mais um dia, em comunhão com Ele. Conhecerás o que é navegar na mansidão das suas águas, te revestirás da armadura de Deus e terás a luz da palavra a te guiar no escuro mundo que vivemos.
Apenas diga, Senhor estou aqui! E Ele honrará cada dia da tua vida e da maior e melhor escolha que apenas você poderá fazer por si mesma!
Imenso carinho,
Cássia Moreira

quinta-feira, 10 de junho de 2010

CARTA- PRECE- I

Amado Deus,

É no meu deserto que aprendo a te adorar...
As palavras que brotam do meu coração já não são minhas. Sou como o salmista diante do salmo, enfrentando a batalha da dor interior. E mesmo aqui, de onde posso contemplar o tempo do silêncio, é tua voz que quero ouvir. Preciso da Tua presença, do Teu Santo Espírito. Preciso apaziguar minhas aflições, estas que são como pedras fincadas aos pés, e me prendem a amargura do medo e tem o cheiro de todas as coisas guardadas do passado que já não me cabem mais.
Quando deixarei os mortos enterrarem seus mortos e seguirei a vida sem sentir o peso da cruz?Preciso ressuscitar contigo Pai!
Mas como tecer súplicas cheias de medo, quando queres apenas que eu creia no tudo novo que virá e vislumbre a vitória que eu ainda certamente não mereço? Nada Te suplicarei então, até que possa levantar-me daqui e olhar para o alto da Tua Morada com meus pés libertos e meus olhos desvendados. Até que tenham acabado os amargos frutos dos tantos passos errados.
Nada poderá tirar-me daqui. Não agora que já não há mais nada de mim e em tudo há apenas a tua vontade. Provas a minha fé e mostras-me a tua mansidão. Meus olhos estão inchados e todas as minhas palavras estão molhadas pelas lágrimas e o sal arde nas feridas da minha alma. Mas ainda sou como o girassol buscando a luz. Não quero ser arrancada do teu solo e murchar no vaso torpe deste mundo. Quero habitar sob as tuas asas mesmo que o mundo me diga não, mesmo que venham mais tempestades, pois sei que um dia me darás conhecer a obra das minhas mãos.
Olho para trás e estremeço. Amar-te era apenas como rezar um terço, em repetidas dezenas de palavras, pensamentos dispersos e repetidos tropeços. Nunca imaginei Te conhecer assim e nem te amar assim, entregando a Ti a destra da minha vida e o ar dos meus pulmões. E a cada dia aprender de Ti o exercício da fé, tal qual uma vela que se acende para nunca mais se apagar, mesmo sob a tempestade, mesmo no maior sopro do medo.
Preciso caminhar, porquanto vejo o tanto que ainda estou distante, do perto que quero estar de Ti!
É no meu escuro- só que vejo a tua luz...
Hoje Pai, apenas cobre-me com teu infinito amor porque em tudo te dou graças! E deixa-me ficar aqui.
Amanha quero acordar com teu sol na minha janela e te gloriar na minha dor.
Imenso amor por Ti!
Cássia Moreira

quarta-feira, 2 de junho de 2010

CARTA À MÃE DA FLOR



Querida Mãe da Flor,
Você deve estar se perguntando, quem me escreve e porque me escreve. É verdade! Não nos conhecemos ainda, mas creio que nos conheceremos em breve. Mas deixa que eu primeiro te diga das pétalas e do pólen, e te fale outro tanto dos campos por onde tua flor caminha. Coração de mãe é igual.  Como mãe, que também sou, gosto de pensar, de desenhar e redesenhar os caminhos dos meus frutos e, um dia, quero ter a benção de vê-los caminhar para Deus, tal qual tua flor.
Das pétalas, ela faz braços, que abraçam, acarinham. Faz mãos lançadas aos céus para onde ela dirige sua fé, e que também seguram outras mãos, por vezes, mãos calejadas, de pessoas sofridas e desamparadas, precisando de mãos para guiá-las até Deus. E novamente lá estão as pétalas, desta feita como ouvidos, atentos, despidos de si mesmo, revestidos de alma, ouvindo lamentos, pedidos aflitos, de tantos que estão com sede.
E se não bastassem às pétalas, tua flor também é pólen, quando incansavelmente se permite ser usada por Deus e faz de si mesma a palavra , derramando fé, esperança, e distribuindo por igual a água viva que nos apazigua. É quando ela se multiplica em muitas flores. Como o vinho das bodas de Canãa. Como o pão que Jesus multiplicou e deu aos que o seguiam. Deus é o pássaro que leva o pólen da flor para germinar nos campos.
Nestes, não importa qual tamanho, tua flor segue destemida. E mesmo diante da imensidão do deserto, que é um coração que não crê, ela derrama seu pólen, até que venha a chuva de Deus e ela por fim veja nascer ali outra flor.
Quis te abraçar e te agradecer simplesmente por seres Mãe desta flor, que me abraçou com suas pétalas e não me deixou enfraquecer na minha fé.  Não é fácil ser mãe de uma flor assim. Não é fácil ser Flor. Servir á Deus é um grande desafio.
Maria sabia que Jesus tinha seu caminho. Então ela o seguiu.
Desejo que da flor que nasceu de ti mesma, encontres o afago e o infinito amor de Deus!
Com carinho te abraço,
Cássia Moreira

sábado, 22 de maio de 2010

CARTA À TUA DOR


Querida Amiga,

Olho agora para a tua dor e quero enxugar tuas lágrimas. Lembro agora de tantas outras vezes, em que me consolastes na minha própria angústia, e eu às tuas, e percebo que nos faltava naquele tempo, uma diretriz. Não tínhamos em nós o amor de Deus, por isso nos permitimos sofrer.

Talvez nem queiras ler esta carta. Confesso que não sei mais falar sem colocar este Deus, que encontrei tão grandemente na minha vida e dele reconstruí meu sobrado. Aquele mesmo que Cora Coralina conseguiu refazer na beleza de sua poesia e quando o viu destruído, o refez das ruínas.

De repente vejo, agora sem a venda nos olhos, que devemos fazer o mesmo e que podemos fazê-lo! Então talvez esta carta seja um pouco de falar de Deus e outro tanto de falar daquela única pedra que sobrou da tempestade e talvez do que sobra de nós quando escolhemos viver vendavais, e ainda, em última, ou primeira instância, da liberdade que temos em fazer nossas escolhas!

Veja amiga, preciso, na tua dor, te consolar. E meu abraço, hoje, é mais valioso do que todos os outros que já te dei, pois está pleno de Deus. Minhas lágrimas são mais grossas e às vezes correm feito rio na minha face. E isso sempre acontece quando, como agora, sinto a presença absoluta do amor de Deus na minha vida e tudo que mais desejo neste momento, é que esse mesmo amor possa te alcançar. Recebe então minhas palavras com esse espírito.

Como é infinita nossa liberdade. Amiga, somos livres! Podemos tudo!A grande questão está em nos amarmos o suficiente para sabermos fazer nossas escolhas. Como podemos escolher o que nos faz sofrer, mergulhar no charco da lama e nos sufocarmos de tanta dor, até ficarmos sem ar e enfim gritarmos e pedirmos socorro? Como podemos escolher o desamor? O abandono? A falta de companheirismo? Como podemos escolher pessoas para nos acompanharem que não compartilham nossos sonhos? Como podemos dividir nossa cama com a solidão? Permitir sermos usados e depois descartados como um lenço de papel?

Como caminhar sem os pés no chão? Como desejar vitórias se escolhemos viver mentiras? Como enfrentar tudo isso, que são as amargas conseqüências das nossas escolhas erradas, se ao nos olharmos no espelho não nos vemos? Você me disse, não tenho forças para prosseguir! E eu te digo, esta força está apenas esquecida no meio de tanta amargura. Esquecestes que Deus nos deu a sua vida para nos libertar. Esquecestes de Deus e de ti mesma. Eu te digo amiga querida, ainda é tempo e sempre será, de reconstruir teu sobrado, amparada no amor incondicional de Deus!

Também me dissestes que não te sentes perfeita para estar diante de Deus. Amiga, Deus escolhe exatamente pessoas como você e eu, imperfeitas, para conhecer a sua Glória e queimar tudo que existe dentro de nós que nos impede de vivenciar este amor tão verdadeiro, até que tudo se transforme em cinzas. Veja, você me chamava de Fênix, porque sempre sabia recomeçar, e de fato, recomeçava, mas sempre refazia os mesmos caminhos. E quando acordava novamente estava sem chão.

Quero que minha felicidade te abrace. Porque sabes mais do que muitos de tudo que vivi e talvez possas compreender, ao olhar minha vida hoje, que podes recomeçar.

Escolha ser feliz. Escolha coisas reais e verdadeiras na sua vida. Escolha beber dessa água viva. Escolha Deus!

Logo você verá que escolher a Deus é escolher se amar!Não tenha medo amiga. Todo o resto virá!Ele te ajudará a reconstruir teu sobrado e te abrigará para sempre debaixo da mansidão de suas asas!

Imenso amor, o meu e o de Deus!

Cássia Moreira