quinta-feira, 24 de junho de 2010

CARTA À TUA DÚVIDA

Querida amiga,
Estou te escrevendo com uma enorme felicidade no meu coração. Como é bom te ver caminhar para Deus! Conheço cada passo dessa caminhada. Conheço as dúvidas que tomam conta dos nossos pensamentos neste momento em que somos chamados e precisamos dar só mais um passo até Ele. E o que preciso falar agora compreende esses dois momentos, o que somos antes e o que somos depois.
Volto no tempo e meus olhos já marejam lágrimas. Lembro daquela voz que gritava dentro de mim, com sede de paz interior, com fome de viver águas tranquilas. Lembro da dor e lembro-me do medo. Tinha consciência que era chegado o tempo de sair da minha tenda e seguir aquele único e verdadeiro amor que acenava para mim tanta esperança. 
Sabia que representava uma escolha e queria de algum modo encontrar uma forma de conciliar Deus e o mundo. Queria conciliar Jesus e meus tantos amigos. Queria ainda guardar comigo o amor que sentia e ardia em mim pela carne. Queria encontrar uma forma de sobreviver ao preconceito e pensava no que diriam de mim quando soubessem que havia me batizado. Queria que minha família e meus filhos estivessem comigo. Senti muito medo e solidão. Medo de deixar para trás as velhas roupas que já não me serviam mais.
Era no meio do caminho que queria estar.
Mas Deus, na sua infinita sabedoria, abriu meus ouvidos e usou os que me cercavam para me dar as respostas que tanto precisava. Quando achava que estaria só Ele colocou diante de mim uma nova família, esta que hoje me acompanha, de irmãos que compartilham comigo a mesma fé. Quando pensei que seria difícil viver sem o amor que achava que havia Ele me mostrou que quem eu amava não era meu, que precisava crescer em espírito e deixar aos mortos os seus mortos e que Ele, e apenas Ele é vida.
Quando temia que meus filhos não aceitassem minha escolha Ele me apresentou a promessa de bênçãos para toda a minha descendência. E descortinou para mim um horizonte de vitórias. Estas que já não conto mais nos meus dedos e ainda as que virão.  
Logo entendi que não há metades em Deus. Ele é inteiro e verdadeiro, tanto quanto precisamos ser. 
Assim querida amiga, saí da minha tenda, da clausura do mundo para me tornar livre. E você, só precisa ouvir, porque eu creio que Ele também quer que você o conheça verdadeiramente. Então deixe que Ele fale com você hoje e te entregue sua promessa de vida. Olhe para minha vida se tiver medo e de esse mais importante passo para viver a infinita glória que é viver em Deus.
Amanha, quero que estejas como eu, pedindo que Deus te de ainda mais tempo nesta vida para que possas estar, nem que seja só por mais um dia, em comunhão com Ele. Conhecerás o que é navegar na mansidão das suas águas, te revestirás da armadura de Deus e terás a luz da palavra a te guiar no escuro mundo que vivemos.
Apenas diga, Senhor estou aqui! E Ele honrará cada dia da tua vida e da maior e melhor escolha que apenas você poderá fazer por si mesma!
Imenso carinho,
Cássia Moreira

quinta-feira, 10 de junho de 2010

CARTA- PRECE- I

Amado Deus,

É no meu deserto que aprendo a te adorar...
As palavras que brotam do meu coração já não são minhas. Sou como o salmista diante do salmo, enfrentando a batalha da dor interior. E mesmo aqui, de onde posso contemplar o tempo do silêncio, é tua voz que quero ouvir. Preciso da Tua presença, do Teu Santo Espírito. Preciso apaziguar minhas aflições, estas que são como pedras fincadas aos pés, e me prendem a amargura do medo e tem o cheiro de todas as coisas guardadas do passado que já não me cabem mais.
Quando deixarei os mortos enterrarem seus mortos e seguirei a vida sem sentir o peso da cruz?Preciso ressuscitar contigo Pai!
Mas como tecer súplicas cheias de medo, quando queres apenas que eu creia no tudo novo que virá e vislumbre a vitória que eu ainda certamente não mereço? Nada Te suplicarei então, até que possa levantar-me daqui e olhar para o alto da Tua Morada com meus pés libertos e meus olhos desvendados. Até que tenham acabado os amargos frutos dos tantos passos errados.
Nada poderá tirar-me daqui. Não agora que já não há mais nada de mim e em tudo há apenas a tua vontade. Provas a minha fé e mostras-me a tua mansidão. Meus olhos estão inchados e todas as minhas palavras estão molhadas pelas lágrimas e o sal arde nas feridas da minha alma. Mas ainda sou como o girassol buscando a luz. Não quero ser arrancada do teu solo e murchar no vaso torpe deste mundo. Quero habitar sob as tuas asas mesmo que o mundo me diga não, mesmo que venham mais tempestades, pois sei que um dia me darás conhecer a obra das minhas mãos.
Olho para trás e estremeço. Amar-te era apenas como rezar um terço, em repetidas dezenas de palavras, pensamentos dispersos e repetidos tropeços. Nunca imaginei Te conhecer assim e nem te amar assim, entregando a Ti a destra da minha vida e o ar dos meus pulmões. E a cada dia aprender de Ti o exercício da fé, tal qual uma vela que se acende para nunca mais se apagar, mesmo sob a tempestade, mesmo no maior sopro do medo.
Preciso caminhar, porquanto vejo o tanto que ainda estou distante, do perto que quero estar de Ti!
É no meu escuro- só que vejo a tua luz...
Hoje Pai, apenas cobre-me com teu infinito amor porque em tudo te dou graças! E deixa-me ficar aqui.
Amanha quero acordar com teu sol na minha janela e te gloriar na minha dor.
Imenso amor por Ti!
Cássia Moreira

quarta-feira, 2 de junho de 2010

CARTA À MÃE DA FLOR



Querida Mãe da Flor,
Você deve estar se perguntando, quem me escreve e porque me escreve. É verdade! Não nos conhecemos ainda, mas creio que nos conheceremos em breve. Mas deixa que eu primeiro te diga das pétalas e do pólen, e te fale outro tanto dos campos por onde tua flor caminha. Coração de mãe é igual.  Como mãe, que também sou, gosto de pensar, de desenhar e redesenhar os caminhos dos meus frutos e, um dia, quero ter a benção de vê-los caminhar para Deus, tal qual tua flor.
Das pétalas, ela faz braços, que abraçam, acarinham. Faz mãos lançadas aos céus para onde ela dirige sua fé, e que também seguram outras mãos, por vezes, mãos calejadas, de pessoas sofridas e desamparadas, precisando de mãos para guiá-las até Deus. E novamente lá estão as pétalas, desta feita como ouvidos, atentos, despidos de si mesmo, revestidos de alma, ouvindo lamentos, pedidos aflitos, de tantos que estão com sede.
E se não bastassem às pétalas, tua flor também é pólen, quando incansavelmente se permite ser usada por Deus e faz de si mesma a palavra , derramando fé, esperança, e distribuindo por igual a água viva que nos apazigua. É quando ela se multiplica em muitas flores. Como o vinho das bodas de Canãa. Como o pão que Jesus multiplicou e deu aos que o seguiam. Deus é o pássaro que leva o pólen da flor para germinar nos campos.
Nestes, não importa qual tamanho, tua flor segue destemida. E mesmo diante da imensidão do deserto, que é um coração que não crê, ela derrama seu pólen, até que venha a chuva de Deus e ela por fim veja nascer ali outra flor.
Quis te abraçar e te agradecer simplesmente por seres Mãe desta flor, que me abraçou com suas pétalas e não me deixou enfraquecer na minha fé.  Não é fácil ser mãe de uma flor assim. Não é fácil ser Flor. Servir á Deus é um grande desafio.
Maria sabia que Jesus tinha seu caminho. Então ela o seguiu.
Desejo que da flor que nasceu de ti mesma, encontres o afago e o infinito amor de Deus!
Com carinho te abraço,
Cássia Moreira